A Maldição do Joelma

Blog de tudoehistoria :De Tudo um Pouco !!!, A Maldição do Joelma

O Edifício Joelma de 25 andares foi um dos prédios mais importantes do centro de São Paulo no Brasil.


No manhã de 1 de Fevereiro de 1974 Sexta-feira por volta das 8:50, o edifício sofreu um incêndio que durou por mais de quatro horas resultando na morte de 189 pessoas e cerca de 345 feridos.


O Edifício Joelma foi então recuperado e renomeado para Condomínio Edifício Praça da Bandeira, mas continua a ser assombrado pelos fantasmas das pessoas que morreram naquele fatídico dia.


Consta no entanto que o local é carregado de uma estranha energia espiritual já antes do edifício Joelma ter sido ser construído em 1972.

Em 1948 existiu uma casa onde mais tarde viria a ser construído o edifício. Nessa casa morava com a sua mãe Benedita e as irmãs Cordélia e Maria Antonieta um professor de química orgânica chamado Paulo Camargo.

Paulo assassinou a tiro a mãe e as irmãs, lançando seguidamente os seus corpos a um poço que este mandara construir no quintal da casa, depois Paulo, já acompanhado pela polícia pediu para ir à casa de banho, onde se suicidou com um tiro no peito.

A polícia considerou duas hipóteses para o assassinato. A primeira seria que a família não aceitava a sua namorada. A segunda é que Paulo teria matado a sua família porque estes sofriam de uma doença e Paulo não queria ter que cuidar delas. A verdade é que o mistério de tamanha atrocidade nunca foi desvendado.

Os corpos forma resgatados do poço pelo corpo de bombeiros, só que um dos bombeiros viria também ele a ser vítima da maldição e morreu pouco tempo depois vítima de infecção cadavérica. Este caso abanou a população de São Paulo e ficou gravado na história como o caso do "Crime do Poço". Logo depois o lugar ganhou fama de estar assombrado

A casa viria a ser demolida anos mais tarde e em 1972 era inaugurado o Edifício Joelma, um prédio moderno de 25 andares construído exactamente por cima do mesmo terreno onde se situava a casa do "Crime do Poço". Devido ao crime que ali se dera, a numeração da rua foi modificada, mas a maldição permaneceu.


Quase dois anos depois de sua construção, o edifico era avassalado por um terrível incêndio causado por um curto-circuito no sistema de ar condicionado no 12º andar. Em pânico e sem terem para onde fugir, as pessoas começaram a dirigir-se aos andares superiores.

À medida que a temperatura aumentava vertiginosamente as pessoas suicidavam-se atirando-se do alto do edifício para fugir ao calor, 40 ao todo soube-se mais tarde.

No combate às chamas, muita coisa falhou; faltou água nos carros do Corpo de Bombeiros, a escada extensível chegava apenas aos andares do meio, o edifício não tinha heliporto e as suas telhas de amianto suportadas por vigas de madeira fraca impediram os helicópteros de poisar.


Apesar de toda estrutura do prédio ser incombustível, todo o material de compartimentação e acabamento não era e não havia qualquer sistema de segurança contra incêndios, por isso o fogo rapidamente se propagou e ficou fora de controlo.


A maioria das pessoas que conseguiram chegar ao telhado conseguiu salvar-se pois abrigaram-se com as telhas de cimento amianto, as que não fizeram isso morreram sob os efeitos do intenso calor e fumo

Apesar de não recomendado, grande parte das 422 pessoas que se salvaram, escaparam pelos elevadores que conseguiram fazer descidas expressas pela habilidade dos ascensoristas e graças à demora do sistema eléctrico dos elevadores ser afectado pelas chamas.


No entanto as últimas treze pessoas que usaram o elevador para tentaram fugir aquele inferno foram encontradas carbonizados dentro do mesmo. Esses corpos nunca foram identificados sendo depois enterrados lado a lado no cemitério de São Paulo. Ainda hoje os fiéis quando vão ao cemitério costumam deitar água com um regador na campa dos treze. Segundo eles, como as vítimas morreram queimadas necessitam de água.


Cinco anos depois, foi realizado um filme baseado na tragédia do Edifício Joelma, mas mesmo durante as filmagens ocorreram vários fenómenos misteriosos

Ruídos estranhos eram ouvidos em locais onde não estava ninguém, aparições eram captadas pelas câmaras da equipa de filmagens e a mais caricata foi quando reveladas as fotografias da cena da morte das personagens; as fotos mostravam rostos de pessoas que não estavam nas filmagens.

 

 

 

 

terça 08 maio 2012 16:55 , em Mistérios


Einstein - O homem que mudou o Mundo

Blog de tudoehistoria :De Tudo um Pouco !!!, Einstein - O homem que mudou o Mundo

Até a idade de três anos, ele não falou uma única palavra. Aos nove, tinha ainda tantas dificuldades de se expressar que seus pais temeram que pudesse ser retardado mental. Na escola, um professor profetizou que ele não seria nada na vida. Com apenas 26 anos, porém, publicaria sua Teoria Especial da Relatividade - uma das mais extraordinárias revoluções da história das idéias.

Einstein alcançou uma dimensão só comparável à do filósofo grego Aristóteles (século IV a. C.) e à do físico inglês Isaac Newton (1643-1727). Sua Teoria da Relatividade seria o marco fundador da Física contemporânea, com profundas repercussões em outros ramos da ciência. Ela daria a chave para a explicação da origem do Universo e para a desintegração do átomo. Mas a bomba atômica é a filha indesejada das elocubrações desse pacifista radical - um homem de bem com o mundo e a vida.

O físico brasileiro Mário Schenberg, que teve a sorte de conhecer Einstein pessoalmente, quando esteve na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, nos anos 40, lembra-se dele "com seu jeito muito simples, um grande casacão que costumava abotoar até a altura do pescoço, sandálias que nunca abandonava e imensa cabeleira. Essa imagem, algo como a de um velho hippie, seria registrada em incontáveis fotografias. Ele mesmo ironizou certa vez o assédio dos fotógrafos ao preencher numa ficha de hotel: “profissão: modelo”.

Dono de convicções profundamente democráticas, que o faziam tratar qualquer pessoa com igual distinção, Einstein era também portador de modéstia verdadeiramente encantadora. O físico Banesh Hoffman, que em 1972 escreveu uma importante biografia dele, lembra-se que, ao encontrá-lo pela primeira vez, estava muito nervoso por falar com um homem que era uma celebridade. Einstein pediu-lhe que expusesse suas idéias e acrescentou: "Mas, por favor, fale devagar, pois tenho dificuldade em entender as coisas rapidamente". A frase teve um efeito mágico, deixando Hoffman inteiramente à vontade.

Albert Einstein nasceu em 14 de março de 1879, numa família judia residente na pequena e velha cidade alemã de Ulm, às margens do Danúbio. Já no ano seguinte, os Einstein se mudaram para Munique, onde o pai, Hermann, e o tio Jakob, instalaram uma pequena oficina eletrotécnica. Do confronto com a massacrante disciplina do ensino alemão do século passado resultou a aversão de Einstein por qualquer forma de rigidez mental. Anos mais tarde. ele se referiria a seus professores como " sargentos disciplinadores".

Durante muito tempo, por um erro de avaliação dos boletins escolares, acreditou-se que Einstein tivesse sido um aluno medíocre. Seria melhor defini-lo como desajustado. Pois estudos biográficos mais recentes o mostram como um prodígio, dominando a Física de nível universitário antes dos 11 anos de idade.

Da mãe, Pauline, Einstein puxou sua natureza sonhadora, imaginativa. Foi ela também quem o pôs em contato com o violino, quando ele tinha 6 anos. Einstein ironizaria mais tarde sua capacidade musical: "Só eu apreciava o que tocava". Os biógrafos, porém, garantem que, embora pudesse não ter o virtuosismo de um profissional, era um violinista brilhante. Seja como for, os dons que herdou da mãe — a música e o devaneio seriam seus maiores refúgios nos momentos difíceis da vida.

Outra influencia familiar - dos tios Jakob e Cäsar Koch - o empurrou para a Física e a Matemática. Aos 12 anos, travou contato com um livro sobre a Geometria de Euclides. Sua paixão infantil por instrumentos como a bússola tomava agora rumos mais ambiciosos, e ele decidia dedicar a vida a desvendar os mistérios do "grande mundo".

Três anos mais tarde, a família se mudava para Milão, Itália. Einstein adorou os campos verdes e ensolarados da Toscana - e a oportunidade de escapar da escola por um ano. Sem dinheiro. viajava de carona - e devaneava. Aos 16 anos, por exemplo, se pôs a pensar em como uma pessoa veria um raio de luz se pudesse viajar ao lado dele, em velocidade aproximadamente igual. Essa divagação que anotou num ensaio, seria o ponto de partida para sua Teoria Especial da Relatividade.

Na primeira tentativa de entrar para a renomada Escola Politécnica de Zurique, foi reprovado no vestibular. Ele tinha ainda 16 anos - dois a menos do que a idade-padrão para ingresso no ensino superior. Um ano mais tarde, melhor preparado, conseguiu passar nas provas de admissão. Continuava a ser, porém, um aluno rebelde, faltando às aulas, lendo o que não constava do currículo e irritando os professores com perguntas consideradas impertinentes. Formou-se em 1900, graças ao amigo Marcel Grossmann, aluno irrepreensível, que lhe emprestava anotações de aula. Mas estudar para os exames finais teve um efeito tão inibidor sobre ele que, durante um ano, considerou "desagradável qualquer problema científico".

Depois da formatura, adotou a cidadania suíça. Rejeitado na tentativa de se tornar professor universitário, conseguiu emprego como técnico de terceira classe no Serviço Suíço de Patentes, em Berna. O cargo era medíocre, mas tinha a vantagem de lhe dar bastante tempo livre para as próprias divagações e cálculos científicos, que Einstein escondia na gaveta assim que ouvia passos se aproximando.

É o máximo da ironia pensar que as anotações que iriam revolucionar o mundo precisavam ser ocultadas para que os colegas e os superiores não descobrissem que ele estava se dedicando a outras atividades no local de trabalho.

Em 1903, casou-se com sua ex-colega de escola, Mileva Maric, com quem passou a viver num modesto apartamento perto do emprego. Dois anos depois, publicaria na prestigiosa revista científica alemã Annalen der Physik um conjunto de quatro artigos que iria revolucionar seu destino - e o conhecimento humano.

O primeiro tratava do chamado movimento browniano - o ziguezague feito pelas partículas em suspensão num líquido. Einstein mostrou como esse movimento permitia compreender a natureza das moléculas. O segundo investigava a causa do efeito fotoelétrico - -o fato de certos corpos emitirem elétrons quando atingidos pela luz. Ele explicou que isso se devia ao fato de que a luz, até então tratada pela Física como uma onda continua, era composta de diminutas partículas de energia.

No terceiro artigo, apresentava ao mundo sua Teoria Especial da Relatividade, em que subvertia as idéias fundamentais da Física clássica, ao mostrar que o espaço e o tempo não eram grandezas absolutas, independentes dos fenômenos, como pensara Newton, mas grandezas relativas, que dependiam do observador (veja o quadro da página 58 ). No quarto artigo, finalmente, a partir de um desenvolvimento matemático da Teoria Especial da Relatividade, constatava a equivalência entre massa e energia, expressa na famosa equação E = mc2.

As quatro comunicações de 1905 feitas por um funcionário público de apenas 26 anos, trabalhando nas horas vagas, foram uma façanha realmente espantosa. Não é por acaso que muitos historiadores da ciência chamam 1905 de "o ano milagroso". Ele só tem paralelo com o ano de 1666, quando Newton, aos 24 anos, isolado no campo devido a uma epidemia de peste bubônica, produziu uma explicação para a natureza da luz, criou os cálculos diferencial e integral e ainda vislumbrou sua futura Teoria da Gravitação Universal.

Mas a fama não veio imediatamente para Einstein. O Prêmio Nobel de Física, por exemplo, só lhe seria dado em 1921. Ao contrário do que muita gente pensa, ele foi contemplado não pela Teoria Especial da Relatividade nem pela Teoria Geral da Relatividade, de 1916, suas duas maiores contribuições à ciência, mas pelo estudo sobre o efeito fotoelétrico.

De qualquer forma, os artigos de 1905 tornaram-no respeitado pelos mais eminentes físicos da Europa. Suficientemente respeitado para que pudesse logo trocar o modesto emprego de inspetor de patentes pela carreira de professor universitário. Assim como o tempo relativo de sua teoria flui em diferentes velocidades, dependendo do observador, também seu tempo existencial começava a correr mais rápido.

Em I9l4, está de volta à Alemanha, atraído por um convite da Academia Prussiana de Ciências. A Primeira Guerra Mundial o apanhou na capital alemã, enquanto a mulher e os dois filhos passavam férias na Suíça. A separação forçada acabaria apressando o fim de seu casamento, que já não era muito sólido. Não foi por motivos pessoais, porém, que Einstein se colocou ativamente contra a guerra.

Eram razões de consciência muito profundas que faziam dele uma das poucas grandes vozes a se levantar contra a conflagração que eliminava milhares de vidas.

Um "sentimento cósmico religioso` o impelia à Física teórica, em busca dos fundamentos mais gerais do Universo. Relutantemente, ele admitia também um "apaixonado senso de justiça e responsabilidade social". Foi essa dimensão ética, que tem tanto a ver com a tradição profética judaico, embora Einstein não seguisse nenhum rito religioso, que o levou ao pacifismo e, mais tarde, ao socialismo democrático.

Os quatro anos da Primeira Guerra Mundial assistiram à síntese perfeita desses dois lados de sua personalidade. Enquanto se aprofundava cada vez mais na propaganda antibelicista, mergulhava também num dos mais extraordinários processos de elaboração mental já ocorridos na história da ciência. Seu assunto era agora a gravitação, essa característica da natureza que faz com que uma pedra atirada ao ar caia de volta na Terra e mantém os planetas em órbita ao redor do Sol. Mais uma vez, Einstein confrontava uma das interpretações centrais da Física newtoniana.

Newton pensara a gravitação como uma força que agia à distancia entre os corpos. Einstein concebeu a gravitação como uma curvatura provocada no espaço-tempo pela presença de massa. Essa ousada idéia, tornada pública em 1916, com a publicação da Teoria Geral da Relatividade, completava a demolição do edifício da Física clássica, iniciada em 1905.

Em 1919, as predições feitas pela Relatividade Geral eram confirmadas pela observação. O impacto foi espetacular: logo Einstein era considerado, talvez até com certo exagero, o maior gênio de todos os tempos. As solicitações da fama o arrastariam a inúmeros países, inclusive o Brasil. Algo contrariado, ele temia que isso prejudicasse suas atividades científicas.

Já em 1919, o excesso de trabalho quase o levara à morte por esgotamento físico. Os amigos que o visitavam contam que ele não tinha hora para parar de trabalhar e que, muitas vezes, só deixava a escrivaninha quando alguém insistia para que fosse deitar. Durante o período de recuperação, uma das pessoas que tratou dele foi sua prima Elsa Lowenthal. Naquele mesmo ano, Einstein se casaria com ela.

Durante a década de 20, a ascensão do nazismo na Alemanha o chamou de volta à atividade política. Abdicando de sua inclinação natural pela quietude e a contemplação, ele se empenhou com toda coragem contra o novo regime que se desenhava no horizonte. Ao mesmo tempo, as crescentes ameaças aos judeus na Europa o levaram a aderir à causa sionista, com sua reivindicação de um território nacional judáico. Os nazistas responderam ao seu engajamento com uma violenta campanha de calúnias.

Quando Hitler chegou ao poder, em 1933, Einstein percebeu que sua permanência no pais se tornara insustentável. Decidiu aceitar o convite da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, para que integrasse seu Instituto de Estudos Avançados. Após deixar a Alemanha, soube que os nazistas haviam posto sua cabeça a prêmio por 20 mil marcos - uma pequena fortuna, à época. "não sabia que valia tanto", comentou, irônico.

A avaliação que tinha sobre seu "valor monetário" era realmente modesta. Quando os americanos lhe perguntaram que salário considerava justo para si, sugeriu a ninharia de 3 mil dólares anuais. Diante do espanto dos interlocutores, achou que tinha exagerado - e propôs uma quantia ainda menor. Acabou con-tratado por 16 mil dólares por ano.

O excepcional prestígio de que desfrutava fez com que naturalmente se transformasse num pólo de atração para os muitos cientistas europeus imigrados nos Estados Unidos.Sob a pressão desses cientistas apavorados, com a possibilidade de a Alemanha nazista fabricar, a partir da própria Teoria da Relatividade. a bomba atômica e conquistar o mun-do, Einstein concordou em subscrever a famosa carta ao presidente Norte-americano Franklin Roosevelt, recomendando que os Estados Uni-dos acelerassem suas pesquisas rumo à arma atômica. Quando soube mais tarde que os nazistas estavam muito longe de fabricar a bomba, Einstein lamentou profundamente a decisão que havia tomado.

Seus últimos 20 anos de vida, passados nos Estados Unidos, foram relativamente pacatos. Instalado no campus da Universidade de Prince-ton, seu tempo era dividido entre as três atividades prediletas: tocar violi-no, velejar e devanear. Só que seus devaneios tomavam a forma de uma Teoria Unificada do Campo, capaz de sintetizar os dois grandes ramos em que estava dividida a Física na época: a gravitacão e o eletromagne-tismo. Ou seja, ele procurava nada menos que a lei geral do Universo.

Einstein morreu no dia 18 de abril de 1955, sem: realizar esse seu último sonho. Não admira: os físicos continuam a sonhá-lo até hoje.

 

domingo 06 maio 2012 17:37 , em Cultura


INDEPENDENCIA OU MORTE

Blog de tudoehistoria :De Tudo um Pouco !!!, INDEPENDENCIA OU MORTE

República Ichkéria da Chechênia. Estado de Tâmil Eelam. República Autônoma da Abkházia. Nenhum desses “países” está no mapa, mas todos eles têm governo próprio, cultivam fervorosamente sua identidade nacional (começando pelo idioma de origem) e mantêm suas próprias “forças armadas”. Para Rússia, Sri Lanka e Geórgia, verdadeiros “donos” desses territórios, eles não passam de Estados virtuais, zonas de insurgência ou territórios em disputa. Terminologias à parte, uma coisa é certa: lutas por independência têm sido um dos maiores combustíveis de guerras nos últimos 50 anos.

Neste momento, há pelo menos 26 conflitos que podem ser classificados como separatistas ao redor do mundo (leia mais nas págs. 40 e 41). A maioria estourou após o desfecho da Segunda Guerra Mundial, quando as potências vencedoras assinaram um dos documentos-chave do século 20: a Carta das Nações Unidas. Espécie de escritura sagrada da diplomacia, o tratado estabeleceu a “autodeterminação dos povos”. Ou seja: cada grupo nacional conquistou o direito de escolher seu governo e seu destino político. À medida que os países europeus debandavam de suas colônias na Ásia e na África, dezenas de territórios declararam independência – de 1945 até hoje, 130 países nasceram no rastro da descolonização. Mas o parto foi doloroso. Em muitos casos, os Estados recém-nascidos juntaram na marra diferentes grupos étnicos e religiosos. E foi nesse caldeirão multinacional que o grande palco para os movimentos separatistas da modernidade acabou sendo forjado.

Tigres famintos

Exemplo clássico de “Estado-caldeirão”, hoje atormentado por uma guerra civil de cunho separatista, é justamente o Sri Lanka. Habitada por budistas, cristãos, hindus e muçulmanos, essa ilha tropical do Oceano Índico, próxima do litoral indiano, foi uma colônia britânica até 1948. Desde as primeiras eleições livres de sua história, o governo sempre foi dominado pela etnia cingalesa, majoritária e de religião budista. Acontece que os cingaleses, no passado, colecionaram sérias desavenças com os tâmeis – uma minoria hindu estabelecida no nordeste do país. O resultado dessa equação você já deve imaginar.

Esquecidos pelos governantes e freqüentemente atacados por budistas radicais, milhares de tâmeis foram mortos nas primeiras décadas pós-independência. Até que, em 1976, surgiu a organização conhecida como Tigres para a Libertação do Tâmil Eelam – considerada um dos grupos separatistas mais violentos da História contemporânea. Seus soldados, fortemente armados, lutam pela criação do Estado independente de Tâmil Eelam. Ainda na década de 1970, eles abraçaram a tática do atentado suicida. De lá para cá, os rebeldes já fizeram mais vítimas que muitos outros grupos de reputação internacional bem mais sanguinária, como os palestinos Hamas, Jihad Islâmica e Mártires de Al-Aqsa. Desde o início do conflito entre Tigres Tâmeis e governo central do Sri Lanka, estima-se que mais de 60 mil pessoas tenham morrido dos dois lados da guerra.

 

Liberdade tardia

Quase todas as guerras da última década aconteceram em países que só se livraram do colonialismo no século 20

236 ataques

Número de atentados terroristas praticados por movimentos separatistas entre setembro de 2006 e setembro de 2007 no mundo todo.

430 mortos

Número de vítimas fatais nos 236 atentados feitos por grupos separatistas entre setembro de 2006 e setembro de 2007.

Comandos em ação

Da Espanha às Filipinas, movimentos que lutam por independência.

Espanha

Grupos - Pátria Basca e Liberdade (eta)

Objetivo - Criar um Estado nacional e autônomo para a população de origem basca, em territórios que atualmente pertencem à Espanha e à França, na fronteira entre os dois países.

Kosovo

Grupos - Exército de Libertação de Preshevo, Medvedja e Bujanovac

Objetivo - Garantir um Estado nacional e independente para a população de origem albanesa estabelecida na província sérvia de Kosovo.

Cáucaso

Grupos - Separatistas da Chechênia, do Daguestão, da Abkhásia e de Nagorno Karabach

Objetivo - Criação e reconhecimento internacional para 4 Estados independentes (leia mais na pág. 43).

Moldávia

Grupos - Separatistas da transnistria

Objetivo - Impedir que a região, cuja independência foi declarada em 1991, seja reintegrada pela Moldávia. A Transnistria se mantém independente graças à presença de tropas russas.

Curdistão

Grupos - Partido dos Trabalhadores do Curdistão, partido pela liberdade do curdistão

Objetivo - Fundar um Estado nacional curdo em partes dos territórios do Irã, da Turquia, da Síria e do Iraque.

Saara Ocidental

Grupos - Frente Polisário

Objetivo - Criar um Estado nacional (a República Democrática Árabe Sarauí) no Saara ocidental, uma região africana que já foi colônia da Espanha e está ocupada por forças militares do Marrocos desde 1976.

Somália

Grupos - Separatistas da Somalilândia

Objetivo - Impedir que a região, cuja independência foi declarada unilateralmente em 1991, seja reintegrada pela Somália. Sua soberania não é reconhecida por nenhum país.

Caxemira

Grupos - Al-Badhr, Harakat ul-jihad, Hizbul Mujahedin, Lashikar-taiba

Objetivo - Libertar a região da Caxemira, de maioria muçulmana, do controle da Índia e integrá-la ao vizinho Paquistão.

Sri Lanka

Grupos - Tigres Tâmeis

Objetivo - Independência de Tamil Eelam, região no nordeste de Sri Lanka.

Filipinas

Grupos - Abu Sayyaf

Objetivo - Criar um Estado islâmico em parte do arquipélago.

Fontes: Mapa - Atlas do Conflitos Mundiais / Globalsecurity / PRIO / UCDP / Enciclopédia Britânica; Quadro - MIPT Terrorism Knowledge Base

Separatismo de resultados

Países que chegaram à independência de 1990 para cá.

SEM GUERRA

País - Eslovênia

Separou-se de quem - Iugoslávia

Quando - 1991

País - Eslováquia

Separou-se de quem - República Tcheca

Quando - 1993

País - Montenegro

Separou-se de quem - Sérvia

Quando - 2006

COM GUERRA

País - Namíbia

Separou-se de quem - África do Sul

Quando - 1990

País - Croácia

Separou-se de quem - Iugoslávia

Quando - 1991

País - Bósnia

Separou-se de quem - Iugoslávia

Quando - 1992

País - Eritréia

Separou-se de quem - Etiópia

Quando - 1993

País - Timor Leste

Separou-se de quem - Indonésia

Quando - 2002

Fontes: CIA World Factbook / Enciclopédia Britânica

 

Cáucaso: uma rede de intrigas

Nas ex-repúblicas soviéticas da região, governos e rebeldes mantêm um olho na guerra por independência e outro nas reservas de petróleo
José Francisco Botelho

Em novembro de 2006, Londres foi palco de um micro-atentado nuclear. Os terroristas não usaram mísseis nem carros-bomba, mas uma xícara de chá – ou, segundo algumas versões, um prato de sushi envenenado. A vítima: Alexander Litvinenko, ex-espião da KGB e inimigo declarado do governo russo. A autópsia descobriu em seu estômago partículas de uma rara e mortífera substância radioativa, o polônio-210.

Até hoje, ninguém sabe quem envenenou o espião dissidente, mas a investigação britânica aponta o serviço secreto russo como principal suspeito. Alguns meses antes de morrer, Litvinenko fez acusações assustadoras contra a ação russa na guerra da Chechênia – um dos conflitos separatistas mais sangrentos da última década, cujos meandros também envolvem a guerra contra o terrorismo e boas toneladas de petróleo. Para compreender essa rede de intrigas, é preciso compreender a situação geopolítica da Chechênia, localizada numa das regiões mais complexas e fascinantes do mundo: o Cáucaso.

Com seus picos, florestas e despenhadeiros selvagens, o Cáucaso é uma ponte estratégica (e até hoje indomável) entre a Ásia e a Europa. A região foi colorida desde a Antiguidade por uma miríade de etnias, religiões e culturas. Não por acaso, historiadores árabes apelidaram-na de Jabal al-Alsine, a “Montanha das Línguas” – até hoje, mais de 50 idiomas são falados por lá.

No século 18, exércitos enviados pelo Império Russo dominaram a região, contra a vontade de grupos étnicos como azeris, inguches e chechenos. Oprimidos pelos czares, os povos caucasianos continuaram padecendo após a Revolução Russa. Durante a Segunda Guerra Mundial, Josef Stalin acusou-os de tramar complôs contra-revolucionários. Em 1944, o ditador soviético ordenou que toda a população chechena – cerca de meio milhão de pessoas – fosse deportada para a Sibéria. Centenas de milhares acabaram morrendo no exílio, que só acabou em 1957.

Após o desmoronamento da URSS, em 1991, três repúblicas independentes surgiram no Cáucaso: Geórgia, Armênia e Azerbaijão. Mas o norte da região, incluindo a Chechênia, continuou pertencendo à Rússia. Quando os chechenos declararam sua independência, no outono daquele mesmo ano, Moscou tratou o assunto como rebelião. A guerrilha chechena, no entanto, estava bem preparada para a briga. Resultado: as tropas russas sofreram uma derrota humilhante e, 5 anos depois, foram obrigadas a bater em retirada.

O conflito voltou a explodir no finzinho do século 20. Em 1999, centenas de civis moscovitas foram mortos numa série de atentados à bomba. O governo de Vladimir Putin jogou a culpa nos muçulmanos chechenos e deu início a uma brutal campanha militar – marcada por limpeza étnica, atrocidades de ambos os lados e bombardeios indiscriminados, que transformaram a capital, Grozny, numa cidade-fantasma. Reintegrada à força, a Chechênia é até hoje um barril de pólvora no calcanhar da Rússia – e um dos mais dolorosos pontos de atrito entre o Ocidente e o mundo islâmico.

Detalhe arrepiante nessa encrenca entre separatistas chechenos e governo russo: segundo as denúncias de Litvinenko, os atentados de 1999 não foram armados por rebeldes, mas pelo próprio serviço secreto da Rússia, que buscava um pretexto para enquadrar a invasão da Chechênia no rol das “guerras contra o terror”.

A Chechênia não é a única ferida aberta nos contrafortes da Montanha das Línguas. Movimentos separatistas também assolam os países do sul do Cáucaso, que conquistaram a independência com o fim da Guerra Fria, como o Azerbaijão e a Geórgia (leia mais no quadro abaixo). Por enquanto, esses conflitos são de baixa intensidade, mas podem se transformar em um terremoto geopolítico por conta do tesouro energético no subsolo do Cáucaso: 50 bilhões de barris de petróleo – menos da metade dos barris do Iraque, mas 6 vezes mais que os 8,5 bilhões do Brasil.

Quem luta contra quem no Cáucaso

Há pelo menos 4 territórios em disputa, colocando em lados opostos grupos separatistas e governos.

Abkhásia

Adversários - Etnia abkhásia x Geórgia

Desde quando - 1992

O que está por trás - Trata-se de uma queda de braço entre a Rússia, que apóia a independência da Abkhásia, e os chechenos, aliados da Geórgia.

NAGORNO KARABAKH

Adversários - Maioria armênia x Azerbaijão

Desde quando - 1991

O que está por trás - Petróleo (o Azerbaijão tem a maior reserva do Cáucaso) e posição estratégica entre o Ocidente e o Mar Cáspio.

CHECHÊNIA

Adversários - Governo autônomo da Chechênia x Rússia

Desde quando - 1994

O que está por trás - Moscou teme que a independência da Chechênia acabe estimulando movimentos separatistas em outras partes da Rússia.

DAGUESTÃO

Adversários - Guerrilha chechena e simpatizantes x Rússia

Desde quando - 1999

O que está por trás - Estão em jogo reservas de petróleo, gás natural, carvão e um oleoduto estratégico que liga o Mar Cáspio aos portos do Mar Negro.

sábado 28 abril 2012 07:11 , em Cultura


Guns N' Roses - Knocking on heaven's door "legendado"

sexta 27 abril 2012 11:18 , em Músicas


Espiões de batina

O padre polonês Konrad Hejmo era um modelo de dedicação no Vaticano. Colega de Karol Wojtyla desde os tempos da faculdade, começou a trabalhar na Cúria Romana um ano após a eleição do papa João Paulo 2º. Formado em Teologia e Ciências Sociais e com experiência de editar um jornal católico mensal, Hejmo foi escolhido pela Conferência dos Bispos da Polônia para representá-los em Roma. Já na Itália, em 1984, foi nomeado diretor do centro de peregrinação polonesa Corda Cordi. Além de ser aceito como confidente por João Paulo 2º, padre Hejmo também se aproximou do assistente do papa, arcebispo Stanislaw Dziwisz. Por causa desse vínculo, participava de conversas sobre as estratégias do pontífice para lidar com a repressão religiosa na Polônia. Durante os últimos dias de João Paulo 2º, em 2005, era Hejmo quem dava as notícias sobre a situação do papa na Rádio Vaticano.

Sua proximidade da cúpula do catolicismo mundial foi interrompida três dias após a posse de Bento 16º. Padre Hejmo teve de viajar de repente a Varsóvia. Acabara de saber que o grande secredo de sua vida, o de ter espionado o Vaticano para a polícia secreta comunista da Polônia, seria revelado. A informação surgiu depois que funcionários do Instituto da Memória Nacional, responsável por pesquisar os arquivos do serviço secreto, descobriram um dossiê de cerca de 700 páginas relacionado o padre ao Sluzba Bezpieczenstwa (SB), o serviço de segurança polonês. Os arquivos revelaram que o padre, da ordem dominicana, era o agente que tinha os codinomes Dominik e Hejnal. Também mostraram que, desde 1975, o padre levou regularmente ao seu contato no SB informações sobre conflitos internos do episcopado polonês. Ainda denunciava religiosos anticomunistas. E mais: contava como o Vaticano enviava comunicados confidenciais para os padres da Polônia. Num dos encontros, o padre chegou a copiar uma carta de um membro da oposição ao papa.

Quando o papel de Hejmo como informante veio à tona, a reação da Igreja foi de descrença. O padre Maciej Zieba, superior da ordem Dominicana na Polônia, desdenhou as acusações. Quando teve acesso ao dossiê, com manuscritos com a letra de Hejmo e até recibos mostrando que ele ganhava 500 marcos (cerca de 250 dólares) a cada encontro, o padre mudou de opinião e descreveu os arquivos como "chocantes".

O Vaticano sabia que casos assim existiam. Durante a Guerra Fria, tinha até mesmo um caçador de espiões, o padre californiano Robert A. Graham. Esse padre-detetive acumulou um arquivo de 55 caixas de documentos sobre espionagem na Santa Sé, material guardado até hoje pela Secretaria de Estado do Vaticano. O padre Graham revelou em artigos ter descoberto telefones grampeados e desvio de documentos, além de ter interceptado e decodificado mensagens de informantes enviadas por rádio e por telégrafo. Uma das ações mais espetaculares desmanteladas pelo caçador de espiões foi a identificação de um grupo de universitários ucranianos matriculados em seminários religiosos em Roma, em meados da década de 1980. Na realidade, tratava-se de oficiais treinados pela KGB, com a missão de infiltrar a Cúria Romana. Depois de descobertos, foram mandados de volta para casa.

O interesse dos governos comunistas em xeretar a Igreja tem origem na repressão religiosa iniciada na Rússia, após a revolução socialista. Em 1917, os seguidores da Igreja Ortodoxa Russa totalizavam 118 milhões de pessoas, num país de 147 milhões. Os católicos representavam 5 milhões. A jornalista russa Olga Vasilieva calcula que, entre 1917 e 1920, 9 mil pessoas tenham sido mortas por perseguição religiosa. Em 1922, o comando revolucionário ordenou a criação de um campo de trabalhos forçados no arquipélago Solovki - o monastério que funcionava na ilha principal foi transformado em prisão. Cerca de 38 mil religiosos e intelectuais foram enviados para o local. Entre 1936 e 1938, já sob o governo stalinista, 100 mil clérigos e leigos foram fuzilados, segundo os próprios registros comunistas. Nos anos 40, haviam restado apenas duas igrejas católicas no país, das 1 200 de antes da revolução.

Durante toda a Guerra Fria, a repressão religiosa romperia as fronteiras da Rússia e se estenderia aos demais países membros do bloco socialista, mas com novos contornos. A religião não era ostensivamente banida pelo Estado, mas aqueles que insistiam em praticá-la sofriam consequências, como perder vagas em bons empregos ou na universidade. A igreja protestante, no caso da Alemanha Oriental, e católica, como na Polônia, transformaram-se em focos da resistência nacionalista e anticomunista. "No Leste Europeu, os líderes religiosos costumavam comandar movimentos de oposição ao regime, em prol da liberdade religiosa e da liberdade de expressão", afirma Ania Cavalcante, professora de História Contemporânea da Alemanha na USP.

Na Polônia, a convivência entre o regime e religião era ainda mais tensa. O catolicismo estava associado à própria identidade polonesa e ao sentimento patriótico. O pontificado de João Paulo 2º, um polonês, coincidiu com o crescimento do movimento de trabalhadores anticomunistas do Solidarnosc (Solidariedade), liderado por Lech Walesa, que conquistou 10 milhões de adeptos. Em janeiro 1981, uma delegação de 18 membros do Solidariedade foi recebida por João Paulo 2º, com a mesma pompa reservada a chefes de Estado - o que foi considerado pelos socialistas como um claro tapa na cara e sinal claro do posicionamento político do papa.

O indício de que as coisas começavam a sair do controle dos comunistas veio com a ideia do papa de fazer uma viagem oficial à Polônia em junho de 1979. Semanas antes da visita, o primeiro-secretário do Partido Comunista Polonês, Edward Gierek, recebeu uma ligação do governo russo pedindo a ele que impedisse a visita de João Paulo 2º. "Como eu poderia fechar a fronteira ao papa?", respondeu o chefe do PC. A visita acabou acontecendo, ao lado de um enorme esquema de segurança para conter prováveis revoltas e enfrentamentos de dissidentes, animados com a visita do papa. Num documento da Stasi, aberto na década de 1990, um agente conta que oficiais disfarçados de padres, vestidos com batinas, foram infiltrados no meio da multidão.

No livro Spies in the Vatican ("Espiões no Vaticano", ainda sem edição brasileira), Joseph Koehler, jornalista e ex-conselheiro de assuntos internacionais do presidente Ronald Reagan, cita uma ordem da KGB, emitida no dia 13 de novembro de 1979: "Usar tudo que estiver disponível para evitar a continuidade das políticas iniciadas pelo papa polonês; se necessário, medidas adicionais de desinformação e descrédito". Segundo Koehler, no documento constam as assinaturas de 9 dos 10 membros do secretariado do Partido Comunista, entre eles, Mikhail Gorbachev. "Em termos leigos, era uma ordem de assassinato", diz Koehler.

Para cumprir essa ordem, o governo soviético precisava de espiões o mais próximo possível do papa. Um deles, um religioso alemão, foi identificado em 2003, quando pesquisadores finalmente conseguiram decodificar fitas magnéticas pertencentes ao Hauptverwaltung Aufklärung (HVA), o braço da Stasi responsável pela espionagem em território estrangeiro. O informante era o monge beneditino Eugen Brammertz, tradutor e editor, no Vaticano, do jornal L’Osservatore Romano. O cargo lhe permitiu ter contato próximo com autoridades da Santa Sé, entre elas o cardeal Agostino Casaroli, secretário de Estado do Vaticano. Com o amigo, o espião conseguia, com uma larga antecedência, os planos de combate ao comunismo e a agenda de viagens do pontífice.


Em 13 de maio de 1981, João Paulo 2º seria alvo de uma tentativa de assassinato. O autor dos disparos foi o jovem Mehmet Ali Agca, um extremista turco que afirmou ter cometido o atentado por conta própria. Mas ninguém até hoje sabe como aquele jovem, que nunca teve um emprego estável, guardava milhares de dólares em diversos bancos turcos ou como tinha conseguido os passaportes falsos para viajar por vários países europeus antes de desembarcar na Itália. Conforme o que conta o historiador Paul Henze no livro The Plot to Kill the Pope, Agca chegou a admitir que o crime lhe fora encomendado por pouco mais de um milhão de dólares e que ele teria um esconderijo assegurado na Bulgária. Uma conversa telefônica de Agca teria sido interceptada — nela, o turco confirmaria o recebimento de dinheiro. De acordo com Henze, o próprio papa não tinha dúvidas de que seu atentado havia sido planejado pela KGB. João Paulo 2º chegou a comentar a seus assistentes que, ao visitar Agca na prisão, ficou claro que o jovem não tinha nenhuma grande hostilidade contra ele ou ao catolicismo: estava apenas obedecendo ordens. Apesar da certeza de que os soviéticos teriam encomendado o crime, o papa optou por não acusar abertamente a KGB - não tanto pela falta de provas, mas por acreditar que essa atitude só pioraria o contato entre a Igreja e os países comunistas. Preferiu oferecer a outra face - e esperar a queda da Cortina de Ferro e seus perigosos agentes secretos.

sexta 27 abril 2012 11:01 , em Religião


|

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para tudoehistoria

Precisa estar conectado para adicionar tudoehistoria para os seus amigos

 
Criar um blog